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Bússola do CEO•16 de outubro de 2026•Edição #58

A nova jornada ganhou data. A demanda, não.

Promulgação da 6x1 às 9h, varejo parado e o que levar para a reunião de segunda.

Bússola do CEO · Leitura de 11 min
A nova jornada ganhou data. A demanda, não.
"A despesa tem data. A receita, não."

A despesa ganhou data. A receita, não. Às 9h de hoje, o Congresso deve promulgar o fim da escala 6x1. A partir da publicação, a empresa tem cerca de 60 dias para operar com jornada máxima de 42 horas semanais.

Visão AE

A despesa ganhou data. A receita, não.

Às 9h de hoje, o Congresso deve promulgar o fim da escala 6x1. A partir da publicação, a empresa tem cerca de 60 dias para operar com jornada máxima de 42 horas semanais. Pelas nossas contas, isso cai em meados de dezembro, no pico do Natal.

Na véspera, o IBGE mostrou que o varejo cresceu só 0,1% em agosto. O mercado esperava 0,7%. Bancos já projetam o PIB do 3º trimestre parado ou levemente negativo.

É esse o orçamento que a diretoria precisa fechar a partir de hoje: um custo com dia marcado e uma demanda que não voltou a andar.

A ordem importa. Primeiro, a conta da folha com data real. Depois, a premissa de vendas. Por último, quanto do custo vai para o preço, num mercado que não está comprando mais.

Em 60 segundos

  • 6x1: promulgação prevista para hoje às 9h. Jornada de 42 horas por volta de meados de dezembro.
  • Custo: CNI estima R$ 267 bilhões a mais. É a conta de quem paga, sem metodologia publicada.
  • Varejo: +0,1% em agosto. Caíram os bens parcelados; informática subiu 6,3%.
  • PIB: XP e ASA projetam −0,2% no 3º trimestre. Economia de lado, não em recessão.
  • Construção: Direcional lançou 37% menos. O gargalo é o crédito da Caixa.
  • Juros: Fed sem pressa em outubro; dezembro segue no radar. Dólar a R$ 5,09 por fatores domésticos.
  • Petróleo: Brent perto de US$ 104 por diplomacia, com ataques em Ormuz.
  • IA: ASML com recorde e fila de pedidos até 2030.
  • Clima: El Niño confirmado até dezembro. Seca no Centro-Norte, chuva demais no Sul.

O que muda na mesa do CEO

Folha. A escala da segunda quinzena de dezembro já deve ser montada no regime novo. Quem deixar para novembro vai negociar com sindicato e terceirizados com o relógio correndo.

Preço. Fornecedores intensivos em mão de obra vão pedir reajuste. A conversa chega antes do custo.

Demanda. O varejo não recuperou a queda de julho. As categorias que mais caíram dependem de parcelamento. Planejar o 4º trimestre com vendas estáveis, não crescentes, é a premissa prudente.

Tesouraria. O dólar subiu 1,15% num dia em que os juros americanos caíram. O prêmio de risco que voltou é doméstico. A janela financeira da semana passada está encolhendo.

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O relógio começa às 9h

O Senado concluiu a votação na noite de quarta, de novo por 75 a 1. O texto não volta à Câmara. A sessão solene de promulgação está marcada para hoje às 9h. No mesmo ato, o Congresso promulga a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde.

Uma cerimônia de 9h muda a escala de dezembro de milhões de trabalhadores.

O calendário, se a publicação sair hoje:

  • Por volta de 15 de dezembro: jornada máxima de 42 horas, dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente no domingo, sem corte de salário.
  • Por volta de dezembro de 2027: jornada de 40 horas.
  • Na transição: acordos coletivos podem ampliar a jornada diária para fechar as 42 horas semanais, mantidas as duas folgas.
  • Micro e pequenas empresas: regras próprias, ainda a definir em lei complementar.

As datas exatas dependem da publicação no Diário Oficial. Vale confirmar antes de fechar o plano.

Relógio e calendário em ambiente de trabalho simbolizando prazos de adequação.

A conta de quem paga

As entidades empresariais já fizeram as contas delas.

A CNI estima que a jornada de 40 horas eleva o custo de produção em R$ 267,2 bilhões, com alta média de 6,2% nos preços ao consumidor. Na projeção da entidade, supermercado ficaria 5,7% mais caro e roupas e calçados, até 6,6%.

A Abrasel diz que bares e restaurantes precisariam de cerca de 3 milhões de profissionais a mais para manter a oferta atual. A Abrainc estima imóveis 5,5% mais caros.

São estimativas de quem paga a conta, sem metodologia publicada. Servem como ordem de grandeza do debate de repasse. Não substituem a conta que cada empresa precisa fazer dentro de casa.

E há uma ressalva prática: a conta da CNI pressupõe que alguém compra. Com o varejo parado, o repasse integral é improvável.

Onde dói primeiro

Varejo. Vai estrear a nova jornada no pico do Natal, com vendas que não cresceram desde julho.

Saúde. No hospital, 60 dias para mudar a escala incluem negociar com sindicato e com cada terceirizado de limpeza, vigilância e apoio. Escalas como o 12x36 dependem do que cada convenção permite.

Indústria. A automação que compensaria a jornada leva anos. Em 60 dias, as saídas são turno, hora extra ou contratação.

Construção. Cronograma feito com 44 horas virou premissa velha. A revisão é de prazo e de custo.

O varejo devolveu 0,1% dos 0,8% que perdeu

As vendas cresceram 0,1% em agosto, depois de caírem 0,8% em julho. A mediana esperava 0,7%; a AE projetava 0,20%. No conceito ampliado, que inclui veículos e material de construção, houve queda de 0,2%.

O detalhe conta mais que o total:

  • Móveis e eletrodomésticos: −4,2%
  • Material de construção: −2%
  • Veículos: −1%
  • Supermercados: −0,3%
  • Informática e comunicação: +6,3%

Caiu o que se compra parcelado. O sinal sugere crédito caro pesando na decisão. O consumidor não sumiu, mas parou de financiar.

E fez escolhas. Deixou o sofá para depois e trocou o notebook ou o celular. Para quem vende bens duráveis, o recado é reduzir estoque para o 4º trimestre e repensar sortimento. Para quem vende tecnologia, a demanda existe, mas é seletiva.

A bolsa leu da mesma forma. O Magazine Luiza caiu 4,24% ontem, depois de 4,49% na quarta.

Corredores de loja de varejo com movimento fraco.

A economia anda de lado

Com varejo, serviços e indústria fracos em agosto, a XP e a ASA projetam o PIB do 3º trimestre em −0,2% em relação ao anterior. O Bradesco vê estabilidade.

Não é recessão. É a economia andando de lado. Mas a base de 2027 fica mais baixa, e a premissa de crescimento de receita precisa acompanhar.

A prévia do PIB do Banco Central sai hoje às 9h. A AE projeta alta de 0,10% em agosto.

Quando a Caixa aperta, a obra espera

O caso do dia vem da construção.

A Direcional, uma das construtoras mais ligadas ao Minha Casa, Minha Vida, divulgou a prévia do 3º trimestre:

  • Lançamentos: R$ 1,35 bilhão, −37% no ano
  • Vendas líquidas: R$ 1,3 bilhão, −21%
  • Velocidade de vendas: 19%, ante 24%
  • Contratos desfeitos: R$ 300 milhões, +50%

A ação caiu 9,26%.

Os analistas não culparam a Selic. Apontaram crédito mais restrito na Caixa, principal agente do programa, greve do banco em setembro, piora nas condições do Minha Casa, Minha Vida e lançamentos concentrados no fim do trimestre.

O dado mais interessante é outro: a geração de caixa operacional dobrou, para R$ 228 milhões. Operação saudável, demanda fraca.

Caixa bom não vende apartamento.

Para incorporadoras, bancos e varejo de casa e construção, o ponto de atenção é o mesmo. No segmento econômico, quem decide a venda é a análise de crédito. Quando ela aperta, o efeito é imediato.

A despesa tem data. A receita, não.

Os juros caíram lá fora e subiram aqui

Lá fora, o dia foi de alívio relativo.

O atacado americano subiu 1,3% em setembro, mais que o dobro do esperado, puxado pela gasolina. As vendas no varejo dos EUA subiram 0,8%, mas quase tudo veio dos postos. Sem os itens mais voláteis, o consumo andou só 0,1%. O combustível está comendo o orçamento das famílias lá também.

Mesmo assim, o Fed acalmou o mercado. A governadora Michelle Bowman disse que o banco central tem tempo para esperar. Mary Daly, do Fed de São Francisco, disse que outra alta provavelmente virá, mas sem urgência.

A chance de alta em 28 de outubro, que chegou a 54% na quarta, caiu para cerca de 30%. Para dezembro, segue em 90%.

Sem pressa não é sem alta.

Aqui, o movimento foi o contrário. O Ibovespa caiu 1,06%, terceira queda seguida. O dólar subiu 1,15%, a R$ 5,09. Os juros futuros subiram em toda a curva.

Se os juros americanos e o petróleo caíram, o que pesou foi daqui de dentro: eleição apertada, custo da 6x1 e dados fracos.

O Datafolha confirmou a disputa aberta. Flávio Bolsonaro tem 51% e Lula, 49% dos votos válidos, empate técnico dentro da margem de 2 pontos. É o mesmo placar da Quaest. Para a tesouraria, a eleição continua sem favorito até o dia 25.

Para quem tem captação aprovada, a janela continua aberta. Mas ficou mais estreita do que estava na semana passada.

Navios afundando, petróleo em queda

Dois navios comerciais, um porta-contêineres e um graneleiro, afundaram perto do Estreito de Ormuz, cada um atingido por um projétil.

No mesmo dia, o petróleo caiu. O Brent saiu de US$ 106 para perto de US$ 104, com relatos de que os EUA avaliam aliviar sanções a navios que transportam petróleo de países sancionados.

O preço está olhando para Washington, não para o mar.

Para logística, agro e indústria, a leitura prática é simples: um dia de queda por notícia diplomática não justifica desfazer travas de diesel nem renegociar frete esperando alívio. Os ataques continuam.

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A fila das máquinas de chip vai até 2030

Instalações de alta tecnologia para fabricação de chips de computador.

A ASML fabrica as máquinas que produzem os chips mais avançados do mundo. É o melhor termômetro do investimento em inteligência artificial.

No 3º trimestre, vendeu um recorde de € 11,7 bilhões. E avisou que a capacidade planejada para 2027 e 2028 não vai atender toda a demanda. Alguns clientes já querem fazer pedidos para 2029 e 2030.

O CEO, Christophe Fouquet, atribuiu a demanda ao "tamanho e à duração dos investimentos ligados à IA".

Na IA, já tem gente na fila para 2030.

O FMI segue vendo risco de correção nas ações do setor. Mas a demanda real por equipamento continua forte. Para a empresa brasileira que usa IA, a implicação é de custo: chip avançado e capacidade de nuvem devem continuar caros. Contratar capacidade crítica com prazo mais longo tende a sair melhor do que esperar queda de preço. Com o dólar a R$ 5,09, contratos de nuvem em dólar merecem hedge.

Um tsunami lento

Nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok, Kristalina Georgieva repetiu a estimativa do Fundo: a IA deve afetar cerca de 40% dos empregos no mundo. Chamou o processo de "um tsunami lento, mas continua a ser um tsunami".

"Afetar" não é "eliminar". Inclui funções que ganham produtividade.

A coincidência é boa para a reunião de diretoria. Na semana em que o Brasil reduz a jornada por lei, a pergunta global é o que a IA faz com cada hora trabalhada. Quem tem projetos de IA com ganho mensurável de produtividade acaba de ganhar um motivo a mais para acelerá-los.

O cafezinho de 2027 se decide em outubro

O El Niño deixou de ser previsão. O instituto americano IRI dá 100% de chance de o fenômeno seguir ativo até dezembro, e a StoneX o descreve como um dos mais fortes dos últimos anos.

O Inmet prevê chuva no lugar errado:

  • Norte, parte do Centro-Oeste e norte de Minas: chuva abaixo da média e temperaturas até 2 °C acima.
  • Sul: chuva mais de 100 mm acima do normal no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em partes do Paraná, com risco de temporais e granizo.

Os riscos citados: florada do café arábica em Minas sob calor, replantio de soja em Mato Grosso, soja precoce no Matopiba e falta de água para o café conilon no Espírito Santo.

No Sul, chover mais não é necessariamente bom. Excesso de água atrapalha máquinas, plantio e escoamento.

Um El Niño forte num ano de diesel caro soma dois choques de custo na mesma safra. Para o agro, é hora de revisar seguro rural. Para a indústria de alimentos, de antecipar compras de café e grãos onde houver contrato. Para a logística, de planejar rotas alternativas no Sul para novembro e dezembro.

Lavoura de café em dia ensolarado no campo.

O que colocar na reunião de diretoria

  1. A escala da segunda quinzena de dezembro já está montada com 42 horas, unidade por unidade?
  2. Quais fornecedores e terceirizados vão pedir reajuste pela nova jornada, e quanto disso conseguimos absorver?
  3. Nossa premissa de vendas para o 4º trimestre ainda supõe crescimento?
  4. Quais contratos em dólar, de nuvem a insumos, estão sem proteção com o câmbio a R$ 5,09?

Agenda da próxima semana

Hoje, sexta (16/10)

  • 9h, promulgação do fim da 6x1. Define o início do prazo. A data de publicação no Diário Oficial fixa o calendário.
  • 9h, prévia do PIB de agosto. AE projeta +0,10%. Confirma ou não a economia andando de lado.
  • EUA: produção industrial de setembro. Termômetro da atividade americana.
  • Zona do euro: inflação final de setembro. A prévia foi de 3,8%.

Datas que definem o resto do ano

  • 25/10: 2º turno presidencial.
  • 28/10: decisão do Fed. Chance de alta perto de 30%.
  • 29/10: decisão do Banco Central Europeu.
  • 3 e 4/11: Copom, a primeira decisão depois da eleição.
  • Meados de dezembro: jornada de 42 horas, se a publicação sair hoje.

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Próximos passos

  • Montar a escala de dezembro no regime de 42 horas e abrir hoje a conversa com sindicatos.
  • Pedir aos terceirizados proposta formal para a nova jornada até o fim de outubro.
  • Reduzir estoque de bens parcelados para o 4º trimestre e simular repasse com vendas estáveis.
  • Executar as captações já aprovadas antes do 2º turno e proteger contratos em dólar.
  • Revisar seguro rural e compras de café e grãos diante do El Niño.

Esta publicação tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento, jurídica ou financeira. As decisões tomadas com base neste material são de responsabilidade exclusiva do leitor. Análise Econômica.

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